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SENSAÇÕES,
EMOÇÕES,
IMPRESSÕES
poesia

Data - 1ª Edição: Março de 2010
Coordenação literária: Ângelo Rodrigues
Desenho da capa: Alfredo Fungo
ISBN: 978-972-591-758-9
Depósito Legal: nº 298987/09
Formato: 21 x 14,5 cm
Páginas: 56
P.V.P.: 10 € (IVA incluído)


CONTRACAPA

Elsa Maria Ventura Major Ribeiro, nasceu em Agosto de 1963, na cidade do Namibe – Angola. Formada em Linguística – Português - no Instituto superior de Ciências de Educação – Universidade Agostinho Neto.
Professora de Língua Portuguesa nos II e III níveias do Ensino de Base em Luanda, Namibe e Lubango. Docente no Instituto Instituto Médio Normal pedagógico Garcia Neto, Luanda. Docente no Instituto de Formação de Angola.
Entre outras actividades, exerce administração, consultoria empresarial e management regional.
Activista em acções filantrópicas (apoia especialmente crianças).


Poema «SERENA» dito por Ângelo Rodrigues

AR - Produções - vídeo (blogue Poemas-Ditos)



PREFÁCIO

SENSAÇÕES, EMOÇÕES, IMPRESSÕES

Quantas sensações, quantas emoções,
num percurso de percepções
por Isabel Vicente Ferreira


Em vossas mãos, está o livro de poemas da Elsa Major uma
mulher que tem uma sensibilidade incomum, que faz destas
páginas um misto de doçura, ternura, nostalgia e até uma certa
reflexão social.
A redescorberta do amor, nestas páginas obriga-me a render-
-me e a valorizar, o essencial da emanação poética, e concluo
que, enquanto houver poesia, haverá vida!
SENSAÇÕES, EMOÇÕES, IMPRESSÕES, é de facto a impressão
da autora, numa narrativa poética, com todo o seu
esplendor.
A sua escrita simples e limpa obriga-me a repensar no tipo de
escritores que vão surgindo no nosso quadrante: os que escrevem
por amor, do que sentem e sabem fazer, e os que escrevem
por escrever. Os primeiros tiveram ideias que as fizeram acontecer,
acharam que eram dignas de ser comunicadas; os segundos
precisam de dinheiro e como tal escrevem por dinheiro.
Não é o caso de Elsa Major que diz: Escrevo / Quando este desejo
me excita / E me oferece a pena, / E escrevo, / Até em retalhos de
papel. (...), Quando a noite solitária me desperta. (...), E escrevo,
/ Até em retalhos de noites...
Em Sensações, Emoções, Impressões, há insinuações... o tempo
real de um pensamento durará apenas até ele chegar ao limite
das palavras, e quando a concepção acontece em plena comunhão
entre palavras, o instante poético se cristaliza.
Há na escrita de Elsa uma forma sublime de encarar a poesia,
por vezes quase em êxtase, cada instante rememorado re-vivido,
num não acomodar à filosofia do fica mesmo assim... ou de um
fazer o quê...
AMAR, página 17, evoca um poema encantatório que apesar
das brumas, culmina com o sorriso de um amor vencedor às
agruras de um cenário trágico. Há um personagem oculto,
intencional, consciente ou inconsciente?
Não é tão relevante, mas é precisamente neste poema que
também ressuscita para todos nós, simples mortais, a esperança
de que A vida imita a Arte, e ainda bem que é assim.
Leia-se o excerto do poema AMAR: Fecham-se as portas!
/ Cortinas negras, / Ambiente penumbroso. (...), Sentiram as geometrias
dos amores, / Cujos os ais se confinaram na simetria dos corpos,
/ E o amor sorriu!
O poder da mimese, patente nas telas das figuras que se movem
neste filme poético, filtram as dores de personagens metafóricos
que nos confundem com sujeito poético levando-nos as interrogações
sem as respostas verdadeiras que por vezes desejamos.
Será real, fantasia, mentira ou verdade? O real apenas é que
o personagem mimético, nunca se veste de ódios... porque... Os
ódios não cabem na minha carteira de prata, assim se refere, a
autora.
Elsa Major parece sentir um certo gozo em contrariar... O
recurso à fantasia na sua poesia é quase um ritual poético
ocultado num véu de mentiras. Socorro-me do vocábulo «mentira
» que segundo Wilde, a mentira não exprime os vulgares
derramamentos líricos de que todos somos mais ou menos
vítimas do inconsciente.
Para Oscar Wilde a mentira é o acto de contar belas coisas não
verdadeiras, é o propósito da Arte... No caso concreto, ou seja, na
pena de Elsa, o derramamento poético assemelha-se a uma
pirâmide que tende a rasgar o céu, criando ninho de palavras no
espaço celestial.
Elsa Major não é apenas uma poetiza que surge a esculpir as
palavras dando-lhes vida própria, é também uma enaltecedora
do seu berço cultural, através de uma série de alegorias, “adentra”
no mundo onde nasceu (Namibe). Revela-nos traços da cultura
e tradição de um povo que tão bem sabe dançar o Ndondolo.
Povo este que serenamente caminha de braços dados, cantando
canções de esperanças ante um oásis de ilusões culturais, sob a
melodia de mburumbumba profunda.
O que importa neste percurso de impressões poéticas, não é
classificar cada poema. É deixar que o leitor se abra ao desfrute,
é permitir que cada um de nós se deixe embalar na noite dos
poetas. Naqueles momentos em que todos nós, nos tornamos a
rosa-dos-ventos, e que apesar das migalhas de nada que temos
no dia a dia, consigamos entoar canções de esperança, para
colorir as nossas gargantas.

Lisboa, 16 de Julho de 2009



SERENA

Serena
Açucena que entra em cena
Na arena do vale
Serena, serena
Amiga açucena
Que é linda, linda e gira
Gira, gira, gira
E quando o sereno
Vem caindo sem agasalho
No atalho
Sinto que o frio é frio
E o sereno ainda molha
E vou fazendo o serão
Enquanto serena penso
E o Sereno chega sereno
E acena a minha açucena
E aí eu entro em cena
No vale em que tudo vale
Depois eu fico serena
Qual a minha açucena…