Sobre LEONINO SOUSA SANTOS,
natural de Jequié – Bahia – Brasil, naturalmente vivendo em Cacém – Lisboa
– Portugal e naturalizado cidadão lusófono «...a saber: Angola, Brasil,
Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé & Príncipe...» (in
“Considerações do Autor”), ao que eu acrescentaria também Timor
Lorosae, e sobre o seu livro “METADES”:
«Quanto Tejo ainda
falta/Se já me falta o ar/Nesta mistura de Tejo e mar?»
«Estou na Bahia/E vejo o
mar/Este oceano.../Atlântico»
O poeta dedica a sua obra, em
primeiro lugar «Àquele que É» e por fim ‘àqueles que são’.
Ficamos logo esclarecidos! Não sobra margem de dúvida, mesmo para os que
ainda o não conheciam ou com ele não tinham partilhado a aventura de
“BUSCA” (Editorial Minerva). Estamos perante um autor espiritualista e
um livro da espiritualidade, um HOMEM-COMBATENTE, um resistente pro-activo
anti-aquela-estupidez que parece ter contagiado grande parte da
humanidade,
«Acordo no silêncio/Não
vejo luz/.../E tudo são sombras ainda...»
numa hibernação de
consciências e atitudes que a leva a abdicar dos seus direitos e deveres
de cidadania. Muito bem, estou (estamos???) pronto a partilhar esta outra
viagem contigo. Embarquemos então na tua proposta poética e literária, ó
humanista. Conduz-nos pela beleza que carecemos, alivia a nossa dor,
estímula a nossa capacidade intelectual.
Surpresa. Enorme surpresa. O
autor propõe aos seus leitores «a dialéctica», «o
caos», «a confusão», «a loucura»,
«a razão», sem esquecer o balançar entre «o sonho e a
desilusão», «o amor e o ódio», num questionar a
intimidade e a interioridade, arrojado e difícil, mas tremendamente
interessante. Arrojado, porque ao levar as consciências dos exigentes
leitores de poesia, a debruçarem-se sobre as razões da alma, os impulsos
genéticos ou a atitude, corre um sério risco de não corresponder às
expectativas, se lhe faltar uma dose hercúlea de talento e ousadia.
Difícil, porque a proposta implica o exemplo, o despir das máscaras que
defendem os nossos segredos, muitas vezes - e antes de mais - de nós
mesmos, oferecendo em ritual de sacrifício o poeta-íntimo. Mas
interessante, se todos os requisitos exigidos estiverem cumpridos, e a
odisseia representar a mais-valia explosiva dos festivais de cor-movimento,
dor-reflexão, doacção-despojo e fantasia-emoção.
O resultado foi espantoso! Li “METADES” sem conseguir parar. Logo de imediato senti um impulso
incompreensível de o reler. Após algumas horas de ‘digestão’ tive que
retomar a leitura. Não estando satisfeito fi-lo mais três ou quatro vezes.
Em todas as viagens, senti o sabor da descoberta, o aroma do estímulo,
apalpei ansiedades, vi deuses e monstros, ouvi dramas e conquistas,
«A imagem/Embora
aparente do meu ser/Não sou eu/ A que passou, sim.../Fui eu.» em epopeias de
íntima-interioridade, SEMPRE DIFERENTES, EM TODAS E CADA UMA DELAS, HAVIA
DIVERSIDADE DE RESULTADOS. Como seria possível, fazer o mesmo caminho e
chegar a sítios diferentes?
«Ser mais e mais menos
eu/
No eu que em mim sucumbe
e morre/
Para se revelar sempre
novo, sempre outro/
Neste eterno eu de não
em mim»
Só pela riqueza do Ser-poeta,
da proposta-poesia e do valor-amor que nos apresentava o Leo. De facto, de
cada vez parti de um eu diferente, sempre mais enriquecido pelo calor da
experiência a que o ‘guia’ me conduzia, até inclusive, me ter libertado da
sua tutela e iniciaticamente conseguir as minhas próprias representações,
nas do poeta, roubando-lhe a obra, que aí já era MINHA.
«Do
infinito,/Emprestam-me sentidos.../
E o texto nasce
sentido/- Descodifica-se poesia»
Obrigado Leonino. Obrigado
amigo.
Uma última referência à
parceria palavra-imagem, Leonino Sousa Santos-Jorge Miguel Rodrigues que
já nos tinha emocionado em “BUSCA” (também pela Editorial Minerva).
Simples, eficaz, comunicativa, bela. Por favor continuem e pensem em novos
projectos mais ousados. Ao vosso estilo.
von Trina
poeta Hiper-Espiritualista
e combatente da dignidade
e cidadania humanas.